#2 Contos Íntimos: o que acontece aqui embaixo? (parte 1)

Essa história pode deixar os héteros preocupados. Mas isso não é culpa minha.

CONTOS ÍNTIMOS

2/23/20265 min read

                                                                 ‼️CONTEÚDO PARA 18+ ‼️

Uma breve introdução:

Clara era empresária no ramo de advocacia e acabara de se mudar para o condomínio Chácara do Sol. Ela foi casada por sete anos com Paula, mas terminaram pois escolheram caminhos diferentes. Clara agora busca um amor intenso, mas, principalmente, uma mulher que esteja em sintonia com a sua vida.

Fernanda estava insatisfeita com seu namorado Bruno, pois a relação esfriou, ele já não era gentil e era acomodado onde não devia ser: na cama. Ficava na mesma mesmice de sempre. Mas ele a pediu em casamento e Fernanda decidiu dar mais uma chance para essa história. Afinal, eles estavam juntos há seis anos e moram há três anos juntos no condomínio Chácara do Sol.

Sugestão de música para a leitura íntima: https://youtu.be/Vcg0001_Y7Y

ONDE TUDO COMEÇOU

Num sábado fresco e tedioso, Clara foi comprar pão fresco e um bolo com recheio de coco para alimentar sua tão novata solidão. Ela andava pelas ruas de fone de ouvido, ouvindo rock alto para espantar tal melancolia. Clara estava ansiosa para chegar em casa, afinal, estava apostando tudo naquela tarde debaixo da coberta, com seus gatos e um lanche afável.

Chegando ao segundo andar, onde morava, parou em frente à porta e buscou as chaves no fundo da bolsa. Seu braço direito estava desconfortável segurando as sacolas da padaria, enquanto o outro braço estava na busca profunda pelo molho. Clara se irritou, tirou os fones de ouvido de forma impaciente e se agachou diante da bolsa, tirando a carteira, o celular, até encontrar a bendita chave. Clara tenta acelerar a busca quando ouviu um suspiro de exaustão subindo as escadas. Mas não dá tempo.

Fernanda olha para Clara.

Clara olha para Fernanda.

Clara dá um sorriso e um aceno de cabeça meio sem jeito. Fernanda só consegue mexer seu semblante e suspirar profundamente para pegar fôlego, mas logo percebe com atenção Clara e acena, sorrindo e a observando dos pés à cabeça com uma certa familiaridade.

Clara vestia um short largo, uma camisa de manga curta e um tênis baixo branco. Tinha os cabelos curtos e não usava brincos. Apenas um anel de prata. Tinha um piercing no queixo bem sexy e um olhar doce, mas cheio de confiança.

Fernanda vestia uma saia jeans e uma camiseta branca. Tinha os cabelos castanhos e médios, na altura dos ombros. Calçava tênis branco, tinha três furos na orelha onde cada um carregava um brinco diferente. Fernanda usava um bracelete prateado com um coração no meio, mas o que chamou a atenção de Clara foram as marcas das sacolas pesadas em seus braços.

Clara vê Fernanda exausta e oferece ajuda: “deixa eu te ajudar, em qual andar você mora?”. Fernanda respondeu: “Imagina, não precisa se incomodar”. Clara insiste e a acompanha até o quarto andar. Fernanda pede obrigada e pergunta seu nome. “Meu nome é Clara, moro no 201”. Fernanda responde ainda ofegante “Que ótimo! Uma nova moradora, seja bem-vinda por aqui!” e abre um empoldado sorriso.

Fernanda agradece a ajuda arrumando seu cabelo que havia caído em seu rosto durante a subida. “A gente se vê por aí!”, disse Clara, e complementa com uma piscadela discreta de despedida,

Fernanda, desde então, não parava de pensar na Clara do 201. Ficava se perguntando por que ela estava fissurada na tal mulher. Pela gentileza? Pela atração física? Pelo seu piercing? O que havia mudado nela naquele momento no corredor?

Passaram três dias do encontro casual e, todas as vezes que Fernanda ouvia barulho no andar debaixo, ela se apressava para jogar o lixo fora, forçando uma coincidência. A lixeira era no primeiro andar, do lado de fora do prédio, era um esforço do qual ela estava disposta. Na terça, por exemplo, Fernanda desceu duas vezes numa tentativa de esbarrar com Clara. [aja lixo!]

Uma semana depois, num sábado, Fernanda estava sozinha em casa, seu marido foi para algum lugar que ela não se importava, não se lembra direito para onde ele tinha ido - mas ela sabe exatamente para onde queria ir naquele sábado.

Fernanda começou a imaginar Clara ali com ela. Mas espantava seus pensamentos dando pequenos tapas no ar. De tanto tentar ignorar, se permitiu essa emoção fictícia por um momento, mas não esperava tal sensação.

Ela encenou diante o reflexo do monitor estar num encontro com Clara. Fernanda começou a sentir seu peito pulsar forte, conseguia ouvir seu pulsar acelerado e o suor se formando em sua virilha. Algo estava diferente. Quente. Fernanda sentou na cadeira do escritório e se acomodou, deixando seu corpo à vontade. Ela cruzou as pernas. Sua mão esquerda começou a ficar inquieta se alisando de cima pra baixo. Ela imaginou coisas lindas com Clara, como elas deitadas juntas num tecido de algodão leve em cima da grama, estavam comendo ameixas. A cada mordida, um caldo doce escorria em seu queixo. Clara o limpava com sua língua. Língua. Fernanda gostava de língua.

Depois repintou outra cena à cabeça. Fernanda estava sentada no balcão de um bar bebendo gin e de repente chega Clara e a puxa para um canto aconchegante. Elas começam a se pegar feito adolescentes, fogo que queima, sem falta de energia. Fernanda não se aprisiona e leva sua mão para seu sexo e começa a fazê-la brilhar. Protagonista de sua própria pele. A língua de Clara estava em seu pescoço, enquanto as mãos pediam delicadamente autorização para entrar. Ela ressoava um gemido firme e sensual, ecoando por sua veia sanguínea. Fernanda já estava de olhos virados pelo prazer, mas sabia que podia suportar mais.

Clara molhava seus dedos em sua boca e os devolvia num ritmo único para seu sexo. Um movimento suave e sem pressa. Fernanda só queria viver aquilo que não sabia o nome, mas fazia sentido em seu corpo. Clara ultrapassou todos os limites da fronteira e foi em direção à cavidade mais pontual do desejo - seu ponto íntimo e inacessado por seu marido. A cada línguada dançante, Fernanda queria mais aquela energia feminina. Ela fechou os olhos e finalizou, com honra, todo aquele desejo que existia acumulado em sua carne.

Ali, Fernanda entendeu tudo.

Dim Dom, toca a campainha. Fernanda, ofegante pelo cumprimento do prazer e de testa frisada, abre a porta e se depara com Clara. “Oi Fernanda! Desculpa atrapalhar, mas é que eu sou nova aqui no prédio e esbarrei com você naquele dia e queria te pedir um super favor.” Fernanda não conseguiu falar. Ainda estava ofegante e incrédula de Clara, após fazê-la gozar em pensamento, estar em sua porta. Clara continua sem pausas: “Eu terei que sair agora, mas está para chegar uma encomenda minha, talvez não dê tempo de eu voltar. Posso pedir para você receber para mim? Desculpa o abuso, mas é que surgiu um imprevisto no escritório e tenho que ir lá agora, mas também preciso receber essa encomenda”.

Fernanda toca em seu bigode chinês, pensativa, e responde calmamente “Claro, Clara!”. Fernanda riu de nervoso e complementou “Estou trabalhando de casa hoje. Não me atrapalha de forma alguma.” Ela queria a convidar para entrar e saber tudo sobre aquela mulher. Mas se despede e a observa descer as escadas com um olhar duvidoso, porém excitativo.

Fernanda fecha a porta e para por um instante com o que acabara de acontecer. Será que o pedido de Clara era realmente inofensivo? Será que Clara também sentia interesse por Fernanda? Será que essa atração sexual por Clara era algo a ser investido? Fernanda pensou que podia dizer algo quando for entregar o pacote de Clara. Mas dizer o quê? O que você acha? Deixe aqui a sua opinião.

Imagem via Pinterest

Vamos ver como se desenrola esse acontecimento. Sábado que vem tem a continuação aqui no blog. Todo sábado um conto íntimo para mulheres que amam mulheres. Se inscreva e acompanhe!